Nos últimos tempos, há entre mim e este blog uma dualidade crescente. Creio até, já ter falado sobre isso. Ou talvez não, não sei. Noutro dia, dei por mim, inclusive, a comparar este blog a uma relação. Passo a explicar. Lembro-me perfeitamente do dia em que decidi ter um blog. Foi precisamente no dia em que descobri a blogosfera, toda ela virtudes e sem defeitos assumidos. Assim pensava, no início. Tal como acontece quando nos apaixonamos. A visão fica toldada, selectiva, talvez. Damos o melhor de nós, investimos sem qualquer esforço, num gesto que nos parece o mais natural. Lembro-me do gozo que me dava escrever aqui as primeiras palavras, as primeiras frases. Lembro-me de ir em busca de outros, que como eu, partilhavam desta mesma vontade, desta mesma descoberta. Lembro-me de descobrir que se podiam conhecer pessoas sem as conhecer. Outras ideias, outras perspectivas, outros gostos, outras vidas. Aos poucos fui espaçando as palavras escritas. A emoção inicial foi diminuindo, sendo substituída por outros afazeres que se mostravam primordiais. Muitas vezes, mais não era que uma desculpa encontrada por mim. As palavras iam espaçando porque a vontade não era suficiente. Tal como numa relação. Aos poucos vamos desinvestindo à medida que a novidade se torna o habitual e conhecido. Mas quando as relações são verdadeiramente relações, isto de um ponto de vista estritamente pessoal, existem sempre momentos em que apetece fazer algo que as possa revitalizar. Tal como agora. Tal como aqui. Deixei de comentar nos blogues que lia, que leio. Não porque goste menos, apenas porque optei por fazê-lo. O resultado não se fez esperar. Igualmente deixei de ter aqueles comentários que me iam acompanhando. Tal como na vida, tal como nas relações. Tendencialmente, se deixamos de dar deixamos também de receber. Felizmente que observo nas estatísticas que também tenho, pois este não deixa de ser, também ele, um exercício narcísico, que não fui "abandonada". Contra todas as expectativas, constato que há, quem ainda tenha esperança no futuro deste espaço. E, de momento, tal como na (minha) vida, tal como nas (minhas) relações, basta-me.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Dos livros (preferidos)

Arranjei o meu covil e o resultado parece ser um sucesso. Do exterior vê-se somente um enorme buraco, mas na realidade este não conduz a parte alguma, bastam alguns passos para se ir de encontro a um sólido bloco de pedra. Não quero vangloriar-me de ter elaborado cientemente este estratagema, é simplesmente o vestígio de uma das minhas numerosas tentativas de construção fracassadas, mas, para concluir, pareceu-me vantajoso não tapar este buraco. É certo que há artimanhas tão subtis que se viram contra si mesmas, sei-o melhor do que ninguém, e é certamente audacioso deixar supor pela existência deste buraco aí haver algo que mereça uma investigação. Mas enganam-se a meu respeito se acreditam que eu construo um covil por pura cobardia. É a alguns passos deste buraco que se encontra, dissimulado sob uma camada de musgo fácil de deslocar, o verdadeiro acesso ao meu covil.
in O Covil, Franz Kafka
domingo, 16 de agosto de 2009
Da vida
Há certas respostas que por mais que tentemos encontrar nos mais variados sítios, mais perto, mais longe, nesta ou naquela pessoa, vão estar sempre num mesmo local à espera do dia em que as olhemos de frente e as reconheçamos como aquelas que tantas vezes procurámos. Num mesmo local. Dentro de nós.
domingo, 26 de julho de 2009
De nós
E depois existem aqueles momentos em que nós, se tivermos sorte, nos damos conta de que, acima de tudo, temos que ser verdadeiros connosco próprios. Mais do que com os outros. Connosco. Às vezes não queremos saber o quão importante isso é. Reconhecermo-nos como somos pode implicar termos que proceder a mudanças, que como já sabemos, nunca são fáceís. Ganhamos sempre algo, mas aquilo em que pensamos no imediato é no que perdemos. Vezes há em que nos reconhecemos mas optamos por ficar na mesma. Mas porquê? Foram tantos os momentos em que me questionei acerca desse facto. Porque nos custa tanto sermos fiéis ao que somos? Seguirmos os nossos desejos e escolhas? Até que um dia encontrei quem me desse a resposta, ou pelo menos uma das múltiplas respostas para a pergunta que tantas vezes formulei. Muitas vezes sermos nós próprios implica desiludirmos os outros.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Dos amigos
Cada vez mais me convenço que temos que ser criativos, principalmente em termos da nossa subsistência. Os empregos para a vida tendem a desaparecer. A competição espreita por todo o lado. Não me parece que nos reste outra coisa senão explorarmos a nossa unicidade. Pois bem, todas estas palavras para vos introduzir o trabalho, ou diria antes a forma de vida peculiar da Martinha, ou antes Maria Morango. Espero que gostem tanto ou mais que eu.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Da vida
E se... Quantas vezes não pensamos ou verbalizamos estas duas pequenas palavras? Quanto mais duvidamos ou nos arrependemos das nossas escolhas, mais consciencializamos essa ideia. Às vezes também acontece com algo relacionado com os outros. Principalmente naqueles momentos em que ainda não aprendemos que não podemos mudar ninguém a não ser nós próprios. Naqueles momentos em que achamos que podíamos ter sido decisivos na vida dos outros. Ou quanto muito incomodar o suficiente para pôr o outro a pensar em mudar alguma coisa. Hoje é um dia em que já pensei vezes sem conta e se... Não só por mim, mas por ter visto tantos rostos a reflectirem esse mesmo pensamento. Hoje morreu uma pessoa que desde o momento em que me conheceu fez questão de me mostrar que acreditava em mim. Uma pessoa que em diversas ocasiões me valorizou e incentivou. Hoje morreu uma pessoa que não mais será esquecida. No meio do choque que todos sentimos, não pude deixar de reparar que todos pensavamos o mesmo: e se ele tivesse feito as coisas de forma diferente...
domingo, 12 de julho de 2009
Dos filmes

Pela primeira vez falo de um filme que ainda não vi. Lembro-me de que esteve em exibição apenas por um curto período de tempo no Cinema King. Fui adiando, adiando, até que o filme foi retirado. Não posso portanto dar uma opinião, no entanto, resolvi partilhá-lo porque antecipo que valha mesmo a pena. Catherine Deneuve vai até ao Líbano e decide que quer ver... Moi aussi, je veux voir.
sábado, 27 de junho de 2009
terça-feira, 23 de junho de 2009
Da vida
Parece que necessitamos sempre dos outros para que exista a confirmação da nossa própria existência. Sermos, apenas sermos parece não ser suficiente. Quem nunca se debateu com o eterno conflito entre o que deve ser e o que é realmente? Quem nunca deu por si a pensar se as opções feitas correspondem realmente ao desejo próprio, ou, se pelo contrário, são tomadas para irem ao encontro daquilo que achamos que os outros quererão? Parece que às vezes seguirmos o nosso próprio caminho nos poderá conduzir a um lugar onde nos vamos encontra sozinhos. Deixados pelos outros, aqueles que tantas vezes quisemos agradar, apaziguar e manter junto de nós. Mas será que tem que ser realmente assim? Talvez não. E se for, terá que ter este tom tão negro como aquele que acabo de pintar? Talvez não. Libertarmo-nos das amarras dos outros pode ser o início de começarmos a ver o mundo com os nossos olhos, sendo esse apenas o primeiro passo de uma viagem completamente diferente. A nossa viagem. Como diz aquele que eu tanto cito, "a nossa existência não depende dos outros".
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Dos amigos
Há diferenças que nos fazem ir mais longe, que nos fazem ser admirados e até invejados, existem outras que nos podem à partida condicionar. Se calhar o importante será encontra a(s) melhor(es) maneira(s) de tirar partido da diferença, seja ela qual for. Esta pequena introdução mais não é do que uma forma de vos dar a conhecer o trabalho que uma amiga e colaboradores tem feito com crianças, diferentes. O Centro Aba é um local onde se pretende aumentar as potencialidades e as oportunidades para crianças que sofram perturbações do espectro do autismo. Vale a pena a visita e a divulgação.
Subscrever:
Mensagens (Atom)