sexta-feira, 11 de setembro de 2009

De mim

Nos últimos tempos, há entre mim e este blog uma dualidade crescente. Creio até, já ter falado sobre isso. Ou talvez não, não sei. Noutro dia, dei por mim, inclusive, a comparar este blog a uma relação. Passo a explicar. Lembro-me perfeitamente do dia em que decidi ter um blog. Foi precisamente no dia em que descobri a blogosfera, toda ela virtudes e sem defeitos assumidos. Assim pensava, no início. Tal como acontece quando nos apaixonamos. A visão fica toldada, selectiva, talvez. Damos o melhor de nós, investimos sem qualquer esforço, num gesto que nos parece o mais natural. Lembro-me do gozo que me dava escrever aqui as primeiras palavras, as primeiras frases. Lembro-me de ir em busca de outros, que como eu, partilhavam desta mesma vontade, desta mesma descoberta. Lembro-me de descobrir que se podiam conhecer pessoas sem as conhecer. Outras ideias, outras perspectivas, outros gostos, outras vidas. Aos poucos fui espaçando as palavras escritas. A emoção inicial foi diminuindo, sendo substituída por outros afazeres que se mostravam primordiais. Muitas vezes, mais não era que uma desculpa encontrada por mim. As palavras iam espaçando porque a vontade não era suficiente. Tal como numa relação. Aos poucos vamos desinvestindo à medida que a novidade se torna o habitual e conhecido. Mas quando as relações são verdadeiramente relações, isto de um ponto de vista estritamente pessoal, existem sempre momentos em que apetece fazer algo que as possa revitalizar. Tal como agora. Tal como aqui. Deixei de comentar nos blogues que lia, que leio. Não porque goste menos, apenas porque optei por fazê-lo. O resultado não se fez esperar. Igualmente deixei de ter aqueles comentários que me iam acompanhando. Tal como na vida, tal como nas relações. Tendencialmente, se deixamos de dar deixamos também de receber. Felizmente que observo nas estatísticas que também tenho, pois este não deixa de ser, também ele, um exercício narcísico, que não fui "abandonada". Contra todas as expectativas, constato que há, quem ainda tenha esperança no futuro deste espaço. E, de momento, tal como na (minha) vida, tal como nas (minhas) relações, basta-me.

9 comentários:

Anónimo disse...

muito bom

mir disse...

Porque este(s) espaço(s) são um pouco pessoas, como as pessoas têm fases.

Haja esperança! :)

R.L. disse...

aqui estou eu...

Manolito Gafotas disse...

tal como nas relações, chegou o momento para algo mais grandioso ;)ficam bem a empurrar carrinhos!

Anónimo disse...

Por aqui também há esperança, mesmo que anónima, para já. :) Receber, sem dar, também não é justo. E a verdade é que mesmo espaçadas, habituei-me a estas palavras.

Teresa disse...

Bem... e se comparamos com a Vida, então, esses momentos em que nos apetece revitalizar a relação tendem a ser decisivos: ou ela existe, mesmo que silenciosa, e basta um impulso para ganhar uma nova vitalidade, ou descobrimos que se esfumou, e mais não é que passado vivido!
Eu preferia que neste caso, fosse a primeira. É que sabes, "Gosto disto"!

滿天星花語 disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Joaquim Lucas disse...

Também tenho um blogue. Também já senti ou sinto o que referes neste 'post' tão honesto. Dada a natureza do meu blogue, onde privilegio pequenos contos, este nunca foi muito dado a comentários. Sempre senti uma certa frustração relativamente a isso mas como também comento muito esporadicamente os outros blogues, embora os vá lendo aqui e ali, sempre achei a coisa natural. Um dia, cansado de esperar pelas palavras dos outros, fechei o blogue a comentários embora mantenha o meu endereço de e-mail. Agora escrevo apenas para mim e para quem me quiser ler. Já não espero o que não chega.

Não sei lá muito bem porquê apeteceu-me partilhar isto contigo. Cumprimentos.

M.M.R. disse...

Podia fazer minhas as tuas palavras. Exactas. Posso?