Na quarta feira num jantar de psi's (psiquiatras, psicanalistas, psicólogos) que trabalham ou trabalharam numa mesma instituição encontrei uma colega que iniciou comigo a vida profissional.
Em vez de encontrar nela a imagem do entusiasmo de quem está a investir numa carreira, de quem trabalha com prazer e gosto, de quem faz aquilo para o qual se formou, encontrei o reflexo da desilusão e da "falha narcísica" como ela lhe chamou.
Quem é que não passa, passou por isso, ou conhece alguém cuja realidade é semelhante à da minha colega?
A admiração perante o que relato não é com certeza muita. O que ainda torna o quadro mais recambulesco.
As causas que nos trazem até ao momento presente não interessam particularmente (pelo menos não agora).
O que me parece fundamental é encontrarmos estratégias para lidarmos com esta situação de instabilidade o melhor possível. Caso contrário a instabilidade externa, que vivemos diariamente rápidamente nos "enlouquecerá".
Não terão que necessariamente levar à letra a palavra enlouquecer, mas um facto é que precisamos de estabilidade para podermos evoluir, progredir, e acima de tudo viver.
Perante isto só me resta pensar que parte das estratégias que temos que encontrar têm que ser interiores. Porque, não sejamos ingénuos, as condições externas que nos rodeiam, e que influenciam a nossa vida não vão mudar, ou pelo menos não se vão modificar no sentido dos nossos desejos.
Somos nós que temos que nos redescobrir, e iniciar mudanças internas que nos coloquem de novo perante uma realidade que nos proporcione tranquilidade, que nos permita viver no verdadeiro sentido da palavra.
Um primeiro passo poderá ser o de avaliarmos o que realmente importa e contribui para a nossa felicidade.
Esta não é seguramente uma viagem fácil, é a viagem ao nosso próprio interior, aos nossos pensamentos e emoções, e podemos encontrar surpresas das quais não tinhamos sequer consciência. Não obstante, acho que é um esforço que terá recompensas...